UMA CRÍTICA A ARQUITETURA AMERICANA

Olá meus amigos, estou em Michigan e assisti uma palestra de Kunstler, criticando  a arquitetura americana, isto me deixou admirada, porque tudo nos EUA é melhor, tudo é fantástico  e é exemplo para muitos países, principalmente o Brasil.
Na verdade sempre notei que a arquitetura americana é muito artificial comparada com a da  França, Holanda, Itália e outros países. Não existe o aconchego, o convite para estar junto, para desfrutar de momentos de convivência agradáveis e relaxantes. Tudo aqui é muito prático, mas muito frio,  tudo funciona muito bem, a ponto das pessoas se isolarem, como se ninguém precisasse de ninguém.
Pois bem, o crítico social Kunstler em sua palestra fala sobre a urbanização dos Estados Unidos e como alguns projetos arquitetônicos mal elaborados podem atrapalhar a vida dos cidadãos. Outro ponto abordado é a necessidade da coexistência entre natureza e meio urbano.
 Mas quem é Mr. Kunstler?
Ele nasceu em Nova York, em 1948, se formou na Universidade Estadual de Nova
York, Brockport campus,  é um autor
americano, crítico social, orador público, e blogger.
James Howard Kunstler explora o planejamento urbano,
arquitetura, transporte, energia, sociedade e cultura a partir da perspetiva
de um repórter “embutido” no Kunstler
Depois que ouvi resolvi  fazer um resumo para entendermos melhor.

1- Ele começa dizendo: Como eram as cidades antes da II Guerra Mundial? Tinham uma praça com uma igreja, local de convívio e local cívico.

2 – Depois da II Guerra Mundial os americanos perderam a capacidade de criar lugares significativos – perderam a cultura do design cívico. Com isto degradou-se a qualidade da vida
cívica, e as características da sua vida pública e das relações comunitárias
que ali acontecem.

3- Os ambientes que estamos vivendo de maneira geral são : Uma rua larga vazia como esta de Detroit, que apresenta dois super mercados – este é um  lixo arquitetônico, estes são lugares que ninguém quer estar.

Eu mostro para coces esta praça abaixo, que fica  na Itália é um lugar que aproxima as pessoas, onde as pessoas vão por querer estar ali.



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O espaço publico é um lugar que vale a pena cuidar, é bem definido, é como se fosse na prática uma grande praça pública, logo de extrema importância, tem aquilo que chamamos de membrana permeável ativa ao redor dele, é um termo chic para dizer que tem lojas, bares, bistrôs, destinos, as coisas entram e saem daqui. É permeável como este:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4- Outra critica de Kunstler é  a Praça da prefeitura de Boston – Um lugar tão inóspito que nem os bêbados querem estar ali. Existem também poucos lugares para sentar e a sociabilidade entre as pessoas acontece em um grau pequeno.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

5-Ele observa também que numa cidade normal, a rua fica no nível das lojas e que o americano quis fazer o comercio ficar num lugar elevado para aparecer, dar envase, mas acabou por separar as pessoas do comércio.
“Numa uma rua típica das cidades, vemos o que estava faltando? Fizeram a rua e puseram uma loja a meio metro acima da rua para deixá-la em destaque, só que isto destrói completamente a relação entre o comércio e a calçada, onde passam os pedestres.”

Esta não é uma rua dos EUA, só postei para mostrar a escada isolando o pedestre do comercio.

6 -O fato da cidade industrial nos EUA ter sido um trauma  os americanos desenvolverão aversão a todo o conceito de cidade e destruíram a compreensão da diferença entre interior e cidade -construiram habitações que emitem doses cavalares de ansiedade e depressão.

 

Casas sem janelas para o verde, sem ligação com o exterior, isola as crianças fazendo muito mal para a saúde.

 Não  se preocupam com o urbanismo, edifícios sem árvores, com péssimas construções.
Vejam a foto desta rua abaixo em Madri com árvores nas ruas que tem quatro funções: Delimitar o espaço do pedestre, proteger os pedestres dos veículos na via, filtrar a luz do sol que incide sobre a calçada e suavizar a paisagem da fachada dos edifícios  criando um teto, uma abóboda sobre a rua, quando muito.
  
Este é um bom exemplo, a Via pública, árvores e o passeio para os pedestres.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Abaixo a rua, praça que estimula a convivencia humana:

A conclusão que cheguei é que nós como arquitetos temos grande influencia no cotidiano dos habitantes inclusive na vida emocional das pessoas e devemos estudar bem o urbanismo com inteligência e sabedoria, para projetarmos cidades que incentivem maior convevivência com respeito ao paisagismo.

 

Transcrevi
esta palestra para que possam ler:

A feiura dos lugares cotidianos
nos EUA é a visível forma de utopia. Não podemos calcular o tamanho do
desespero que estão gerando com lugares como estes. Além disto quero convencê-los
que podemos fazer melhor.
Se quisermos continuar o projeto de civilização nos EUA, o que vejo é o maior erro de alocação de recursos da história do mundo. Você pode chamar de tecnose externa bagunçada e é um grande problema para nós. O que se destaca – o que mais sentimos com isso é que estes não são lugares que valem a pena cuidar.
Uma noção de lugar – sua capacidade de criar lugares significativos e com qualidade e personalidade depende exclusivamente de sua capacidade de definir estes espaços com edifícios, e de empregar vocabulários, verbos, sintaxes, ritmos e padrões de arquitetura para nos informar onde estamos.
O espaço nos Estados Unidos tem duas funções: é o lugar onde vive nossa civilização e onde levamos nossa vida cívica e é a manifestação concreto do bem comum.
E com a degradação do espaço público, degrada-se automaticamente a qualidade da vida cívica, e as características
da sua vida pública e das relações comunitárias que ali acontecem.
O espaço se traduz basicamente na forma de ruas  nos EUA porque não temos os largos e praças com catedrais de  mil anos de existência e os grandes mercados abertos de culturas mais antigas.
E sua capacidade de definir espaços e criar lugares que vale a pena cuidar vem de um conjunto cultural que chamamos de cultura de design cívico. É um conjunto de conhecimentos, métodos, habilidades e princípios que
jogamos fora após a 2a Guerra Mundial e decidimos que não precisávamos mais deles; que não os utilizaríamos.
E como consequencia podemos ver a nosso redor.
O domínio público tem que nos dizer não somente onde estamos geograficamente, mas onde estamos em nossa cultura. De onde viemos, que tipo de pessoas nós somos e também tem que nos permitir vislumbrar para onde estamos indo e que possamos viver o presente com esperança. E se há algo catastrófico nos lugares que construímos
para nós mesmos nos últimos 50 anos, é que eles nos privam de viver o presente com esperança. Os ambientes que estamos vivendo de maneira geral são como este: Uma rua larga vazia que apresenta dois super mercados, vejam este é o lixo arquitetônico que fica a 3km ao norte de minha cidade.
E lembrem-se para criar um lugar com personalidade e qualidade, você tem que ser capaz de definir espaços. E como isto esta sendo feito aqui? Se você ficar no estacionamento do Wall-Mart aqui e tentar olhar para a loja da target naquela direção,você não consegue vê lo por causa da curvatura da terra. (risos) Esta é a maneira da natureza dizer que não esta conseguindo definir o espaço, consequentemente estes são lugares que ninguem quer estar. Estes serão espaços onde ninguém quer estar e que não vale a pena cuidar.
 Quando tivermos o suficiente deles, teremos uma nação onde não vale a pena defender. E quero que você pense nisto quando pensar  naqueles jovens que estão no Iraque  derramando o próprio sangue na areia. E que você se pergunte qual foi a última lembrança de que tiveram da casa deles? Estas ruas sem  vida não são suficientes para os Americanos derramarem o próprio sangue. Precisamos de lugares melhores neste país.
Espaço publico é um lugar que vale a pena cuidar, é bem definido, é como se fosse na pratica uma grande praça pública, tem logo de extrema importância, tem aquilo que chamamos de membrana permeável ativa ao redor dele, é um termo chic para dizer que tem lojas, bares, bistrôs, destinos, as coisas entram e saem daqui. É permeável. A bebida entra e sai, existe movimentação e isso ativa o centro deste lugar e faz um lugar onde as pessoas querem ficar. Nestes lugares em outras culturas, as pessoas vão porque gostam desses lugares, não precisa ter uma feira de artesanatos aqui para as pessoas irem, não precisa de um festival de música, as pessoas não vão ali porque é agradável estar ali. Mas como fazemos nos EUA este é provavelmente o maior fracasso em espaço publico dos EUA.
Vejam um lugar publico projetado por um dos maiores arquitetos da atualidade, Harry  Cobb e I.M. Pei:
Foto da praça da prefeitura de Boston. Um lugar tão inóspito que nem os bêbados querem estar ali. E não podemos consertá-lo porque o arquiteto anda está vivo e todos os anos a M.I.T. se unem para consertá-lo e todos os anos eles não conseguem porque não querem magoar I. M. Pei. Olhem o outro lado do prédio, este projeto ganhou um prêmio Internacional de desenho em 1966, (the Winner) não é de Pei e Cobb, foi feito por outro escritório, mas não há Prozac no mundo para fazer as pessoas se sentirem bem após descer este quarterão. Esta é a parte detrás do City hall, o mais importante e significativo edifício cívico da Albânia, perdão Boston. E qual  a mensagem que chega?Quais os vocabulários vem deste edifício? E como ele nos informa onde estamos? Este prédio seria melhor se colocássemos mosaicos e retratos de Josef Stalin, Pol Pot, Saddam Hussein, na lateral deste prédio porque estaríamos realmente dizendo o que este prédio esta comunicando.
A parte traseira do Centro cívico Saratoga Sptings em Nova York, alguns podem dizer que estava chovendo no horário que tirei a foto, porque aparentemente para eles o problema era o tempo.
Sabe qual é a mensagem que os arquitetos passam? Não estamos nem aí, estamos nos lixando. Então voltei lá num dia de sol para fazer o teste de realidade, e a resposta foi a mesma, não é civicamente rico para que as pessoas desejem ir até lá.
Faço aqui um adendo sobre este prédio:Praça City Hall, Boston, MA
Este lugar foi construído entre os anos de 1963 e 1968, a partir de um concurso
nacional para realizar uma renovação urbana no local.
O local, além de apresentar um lento processo de desenvolvimento, tem gerado constantes tentativas de e formulação, ao invés de gestão para servir a comunidade.
Algumas das características que, segundo PPS, o designam como um lugar ruim são primeiro sua grande extensão em atributos de projeto, útil apenas para mostrar aos visitantes. “Os edifícios que o cercam são pouco interessantes e há necessidade de atividades nas ruas ao redor. É muito vasta e tudo isso contribui para a dificuldade de acesso.” Existem também poucos lugares para sentar e a sociabilidade entre as pessoas acontece em um grau pequeno.
O padrão de ruas nos EUA é na verdade o de construir quarteirões no centro da cidade e em todo mundo é bem universal. Prédios com mais de um andar, construídos até a beira da calçada para que as pessoas possam ter atividades nos andares superiores como apartamentos, escritórios, e afins. Você oferece o meio para aquela atividade chamada compra no térreo, é assim que se compõe um edifício  no centro com as paredes cegas da lateral.
Numa uma rua tipica das cidades,e vemos o que estava faltando? Fizeram a rua e puseram uma loja a meio metro acima da rua para deixá-la em destaque, só que isto destrói completamente a relação entre o comércio e a calçada, onde passam os pedestres. Claro eles nunca vão andar ali enquanto este lugar estiver nestas condições. E como a relação com o comércio está rompida, colocamos uma rampa para portadores de deficiência  e para nos sentirmos bem colocamos um band-aid na natureza na frente, pequenos arbustos, é assim que fazemos.Isto eu chamo de cura para o urbanismo mutilado e ferido nas cidades.
Isto não são construções de bons edifícios, porque as árvores nas ruas tem quatro funções: Delimitar o espaço do
pedestre, proteger os pedestres dos veículos na via, filtrar a luz do sol que incide sobre a calçada e suavizar a paisagem da fachada dos edifícios  criando um teto, uma abóboda sobre a rua, quando muito.
Um dos problemas com o fiasco do subúrbio é que isto destruiu nossa compreensão da diferença entre interior e
cidade, entre o urbano e o rural. Não vamos curar os problemas da urbanização arrastando o campo para a cidade.
Boa parte disso vem do fato da cidade industrial nos EUA ter sido um trauma tamanho que desenvolvemos essa
aversão a todo o conceito de cidade, vida urbana e tudo relacionado a cidades.
O antídoto seria a vida no campo para todos, e isto começa a se concretizar com a vida do subúrbio da rodovia: as vilas interioranas ao longo das rodovias, que permitem que as pessoas usufruam do conforto da cidade. Acontece que foram sofrendo mutações ao longo dos 80 anos seguintes, e viraram algo traiçoeiro, tornaram-se uma caricatura de uma casa no campo, e  uma caricatura de um país. As moradias que encontramos lá são uma casa com nada ao redor, mas com a parede lateral totalmente cega, como se dissesse não tenho olhos nas laterais da minha cabeça,
não posso ver. E uma fachada frontal com uma varanda mínima que, ninguém vai usá-la. E quartos encima que dizem: Nós somos normais! E não são! Estes lugares, habitações estão emitindo doses cavalares de ansiedade e depressão para as crianças e experimentam a primeira coisa que lhes oferecem.
E as escolas das nossas crianças?
Totalmente vedadas parecendo presídios, sem natureza nenhuma.
Estamos adentrando uma era de mudanças no mundo e certamente nos EUA, teremos que fazer algo diferente,
redimensionar e mudar a escala de praticamento tudo que fazemos neste país e deveríamos ter começado há muito tempo.
Solução: Teremos que morar mais perto do trabalho, morar mais perto uns dos outros, teremos que cultivar mais alimentos perto de onde moramos. Precisamos de um sistema ferroviário.
Temos a sorte de termos urbanistas que etão tentando recuperar a informação que foi jogada no lixo, pela geração pós II Guerra mundial, porque precisamos delas, precisamos voltar a esse conjunto de metodologias e princípios e habilidades para reaprendermos a construir lugares significativos e lugares completos que sejam organismos vivos de nossa vida cívica e nossa vida em comunidade empregada de maneira integral. Para q as residencies façam sentido, estabelecidas com relação aos locais de negócios, de cultura e de governo. Teremos que reaprender o que são quarteirões. Como compor o espaço publico que é ao mesmo tempo grande e pequeno – o patio, a praça publica e como usar esta propriedade.
Os shopping malls não vão sobreviver, para consertá-los teremos que ter ruas e quarterões e com sorte isso resultará em centros cívicos e bairros revitalizados.
Os EUA não estão preparados para o futuro, a vida no seculo XXI será baseada em viver localmente, estejam
preparados para serem bons vizinhos, para serem úteis para seus vizinhos e contemporâneos.

Vamos parar de referirmos a nós mesmos com consumidores, nós somos cidadãos com obrigações, responsabilidades e deveres para com nossos semelhantes.

Vamos fazer deste lugar um espaço cheio de lugares que valha a pena cuidar, que valha a pena defender.

É isso aí pessoal, sempre aprendendo para fazermosmelhor!!! Um abraço!


2017-06-26T19:45:00-03:00fevereiro 18th, 2015|PROFISSIONAIS|0 Comentários

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